No palco do Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador, 24
jovens do grupo Tá Ligado Em Que? narram a história de Flor, uma estudante de
aproximadamente 15 anos, que mora com a mãe e o padrasto em um lar humilde da
capital baiana.
Devido às transformações corporais oriundas da puberdade, a moça
começa a ser elogiada pelos garotos da escola e, em casa, é assediada e
violentada pelo padrasto, que ameaça matá-la se revelar para a mãe ou qualquer
outra pessoa.
Porém, com ajuda dos colegas e do Centro de Defesa da Criança e
do Adolescente Yves de Roussan (Cedeca-BA), a garota consegue acompanhamento
psicológico e o padastro é preso.
O drama vivido por Flor, no espetáculo baseado na cartilha de
prevenção e cuidados do Cedeca-BA, é o reflexo do resultado divulgado nesta
terça-feira (28) da pesquisa feita em cinco municípios do estado Bahia sobre
“Cenários das Violências Sexuais Contra Crianças e Adolescentes”, por meio do
projeto de intervenção Down to Zero, organizado pelo Plan Internacional Brasil
(ONG internacional referência na defesa de direitos de crianças e
adolescentes), ECPAT-Brasil (organizações da sociedade civil que trabalha para
a eliminação da exploração sexual de crianças e adolescentes ), executado pelo
Cedeca.
“Atuamos em Salvador e região metropolitana, pois o projeto se
propõe a diminuir e erradicar até 2020 a violência sexual contra crianças e
adolescentes”, explicou Sara Regiana de Oliveira, gerente de projetos da Plan,
durante a apresentação.
Pesquisa
Segundo dados da pesquisa com base nas denúncias recebidas pelo
canal Disque 100, desde 2011 o estado da Bahia tem o maior número de
notificações de casos de exploração sexual de crianças e adolescentes: são
41.715 denúncias, sendo 26.263 relacionadas a violações de direitos de crianças
e adolescentes.
Desses registros, 48% correspondem a casos envolvendo meninas;
37,6%, com meninos; e 14,4% não informaram.
“Dados sobre exploração sexual são muito difíceis de levantar,
porque, infelizmente, a sociedade não conhece este fato como violação de
direitos, muitos acham que crianças e adolescentes em contexto de exploração
não são vítimas, mas causadoras do ato”, afirmou Sara Oliveira.
Além de Salvador, a pesquisa contemplou cidades da região
metropolitana, a exemplo de, Camaçari, Lauro de Freitas, Itaparica, Vera Cruz e
Mata de São João.
Para o cônsul honorário da Holanda na Bahia e Sergipe, Egbert
Bloesma, é preciso que a sociedade mude o comportamento para erradicar a
exploração. “ Mostramos o que a Holanda faz e a nossa visão sobre o problema da
exploração sexual no Brasil”, comentou Bloesma, que criticou o comportamento da
sociedade após o resultado da pesquisa.
Conforme o documento divulgado pela Down to Zero, entre às
causas que impulsionam os índices de violência deste tipo, o tráfico de drogas
aparece em primeiro lugar, com 78,7% de frequência.
“Na pesquisa, a gente mostra a diferença, não só entre
exploração sexual e abuso sexual, mas de outras tipificações de violência
sexual, trazemos o olhar dos entrevistados, de acordo com o senso comum, mas,
ao mesmo tempo, trabalhamos com conceitos , trazendo a diferenciação entre o
que a sociedade ouve e sabe e o conceito mais técnico da definição”,
acrescentou Sara Oliveira.
A coordenadora-executiva do Cedeca, Luciana Andrade, destacou
que a pesquisa foi quantiqualitativa, produziu e atualizou dados e
conhecimentos sobre a violência e exploração sexual nos municípios já citados.






