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quarta-feira, 10 de abril de 2019
Mulher usa carrinho de mão para levar idoso com tumor a hospital no Rio
Uma mulher carregou o marido em um carrinho de mão
por quase dois quilômetros até um hospital em Cabo Frio, no Rio de Janeiro. O
homem havia sido diagnosticado com tumor no cérebro e, na ausência do Serviço
de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na cidade, a mulher decidiu encontrar uma
alternativa para socorrer o marido.
O caso, que aconteceu nessa terça-feira (9), chamou
a atenção dos moradores da região que gravaram um vídeo do momento em que, com
uma capa de chuva, a mulher chega ao hospital,
localizado no bairro Jardim Esperança, carregando o marido em um carrinho de
mão forrado com um colchão. "Vocês não têm ambulância pra buscar o
paciente em casa. Olha! No carrinho de mão eu trouxe!", fala a mulher.
Segundo os moradores, a mulher saiu da Rua Rio de Janeiro, no bairro Jardim
Peró e caminhou 1,7 quilômetro até a unidade de saúde. A decisão de usar
o carrinho de mão teria sido
tomada depois que a moradora foi pessoalmente até o Hospital de Emergência
perguntar pelo serviço, notando que não conseguiria uma ambulância para prestar
atendimento.
Em nota, a Prefeitura informou que a mulher não
realizou os procedimentos corretos para a disponibilização do atendimento.
"A acompanhante não procurou o Setor Administrativo, responsável pela
solicitação da ambulância, mas o Setor de Emergência, que não faz esse
atendimento. Além disso, ela não formalizou o pedido, não explicou a
necessidade, tampouco de quem se tratava, já que o paciente foi atendido
naquela unidade em outras situações, mesmo a cidade não dispondo do serviço de
Samu - que é a responsável por agir nestas situações", escreveu.
Ainda segundo a Prefeitura, o paciente que chegou
no carrinho de mão foi atendido e internado no hospital onde
está recebendo hidratação e o acompanhamento médico necessário, já que o homem
apresenta uma doença terminal e não tem previsão de alta médica.
quarta-feira, 4 de outubro de 2017
Você conhece os direitos da paciente com câncer de mama?
Lidar com
o câncer de mama já é difícil para a mulher pela condição clínica e também
psicológica da enfermidade, que afeta, inclusive, a autoestima da paciente. O
desafio se torna ainda maior quando essa portadora não tem conhecimento dos
tratamentos e benefícios garantidos gratuitamente a ela, por lei, para controle
da enfermidade. Mas a chamada Carta Maior, Constituição Federal, assegura
alguns desses direitos assistenciais à pessoa com todos os tipos de tumor
maligno, inclusive na mama, para que ela possa ter mais qualidade de vida e, em
alguns casos, até maior expectativa de vida.
"O
câncer está entre os males assistidos por alguns dos privilégios como benefícios
e isenções, que lista as patologias consideradas graves. O problema é que
muitas pacientes que têm a doença ainda não sabem que existe auxílio para
ajudá-las na luta contra o avanço do quadro. E, muito menos, que há um conjunto
de normas atestando esses benefícios", afirma a Dra. Claudia Nakano, da
Comissão da Saúde da OAB/Santana.
A
advogada comenta os direitos das pessoas portadoras de câncer, inclusive as
mulheres com neoplasia mamária (câncer de mama), com base na legislação
brasileira.
Acesso a medicamentos de alto custo –
Pacientes com todos os tipos de câncer podem receber gratuitamente medicamentos
com preço elevado utilizados no tratamento. "Basta comparecer previamente
em um dos postos de atendimentos, secretarias e hospitais, portando RG, CPF,
comprovante de residência, o laudo, que é o histórico da paciente e da doença,
e receituário médico, com nome comercial, princípio ativo, dosagem e quantidade
mensal do medicamento", orienta a Dra. Claudia.
Saque do FGTS e PIS – A portadora de tumores
malignos na mama ou pessoas que tenham uma dependente com a doença também podem
resgatar a quantia disponível no FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço)
e nas quotas do PIS/PASEP. "Para fazer o saque do benefício, devem ser
apresentados alguns documentos, como o cartão do cidadão ou o número do PIS, a
carteira de trabalho e um atestado médico válido por 30 dias, com o histórico
da doença, estágio clínico atual e a cópia dos laudos diagnósticos",
descreve a especialista em Direito à Saúde. "Para os casos de dependentes
com a patologia, também é exigido um documento que confirme a ligação com a
paciente", complementa.
Cirurgia reconstrutiva mamária – Esse,
talvez, seja um dos benefícios mais ansiados pela maioria das mulheres que
enfrentam o câncer de mama. "Todas as pacientes que tiveram a mama
mutilada total ou parcialmente, por conta da doença, têm direito a realizar
esse procedimento nas unidades da rede de atendimento do Sistema Único de Saúde
(SUS)", afirma a Dra. Claudia.
Auxílio-doença – Se a paciente for assalariada e
a doença incapacitá-la de exercer suas funções por mais do que 15 dias
seguidos, ela poderá requerer esse benefício mensal, que equivale a 91% do seu
salário. "O benefício não exige carência em casos de doenças graves, como
o câncer de mama, contudo é necessário que essa mulher tenha inscrição no INSS
(Instituto Nacional do Seguro Social) e apresente o laudo médico quando for
solicitar a renda auxiliar", salienta a advogada especialista em Direito
do Consumidor.
Isenção de IR – A gravidade do câncer de mama
também o insere entre os males que isentam, por lei, as portadoras de arcar com
o Imposto de Renda, mesmo em caso de pacientes que já recebam benefícios da
Previdência Social. "Como as pessoas com HIV/AIDS, cardiopatas graves e
parkinsonianos, entre outros, elas têm direito a essa liberação, desde que
recebam uma aposentadoria, pensão ou reforma", finaliza a advogada.
Claudia
Nakano é Advogada especializada no Direito à Saúde, Claudia Nakano é Presidente
da Comissão de Saúde Pública e Suplementar da OAB Santana/SP e membro das
Comissões de Direito do Consumidor, Saúde, Planos de Saúde e Odontológico da
OAB Santana/SP. Sócia e fundadora do escritório Nakano Advogados Associados, é
pós-graduada em Direito Civil e Processual Civil e em Direito Médico,
Hospitalar e Odontológico pela EPD – Escola Paulista de Direito.
quarta-feira, 6 de setembro de 2017
Pesquisadores descobrem que zika pode ser uma arma contra câncer cerebral
Embora tenha chegado
causando pânico, principalmente em mulheres grávidas, o vírus zika pode acabar
se tornando amigo da humanidade devido à sua aparente capacidade de combater um
tipo complicado de câncer.
Pesquisadores das universidades da Califórnia,
Cleveland, Washington e Texas se uniram para fazer experimentos com zika no
tratamento de glioblastoma, câncer cerebral mais comum nos Estados Unidos. E
descobriram que uma doença talvez consiga neutralizar a outra.
O tratamento contra
glioblastoma pode envolver cirurgia, quimioterapia e radiação, mas os tumores
costumam reaparecer em questão de meses. É aí que entra o zika: o vírus ignora
células cancerígenas, mas mira células-tronco, justamente as responsáveis por
continuar "fabricando" as cancerígenas.
O vírus é tão perigoso para fetos porque se
infiltra no sistema nervoso central em desenvolvimento e mata células
progenitoras neurais, que mais tarde se tornariam vários tipos de células
cerebrais. Como as células-tronco do glioblastoma se comportam de forma
semelhante às neuroprogenitoras, o zika serviria como arma contra elas.
A ideia, como explica o
Engadget, seria combinar tratamentos. Os médicos poderiam matar as células
mutantes das formas convencionais — cirurgia, quimioterapia etc. — e, ao mesmo
tempo, atacar a célula-tronco do glioblastoma para impedir que ela crie mais
tumores.
Em testes com células-tronco removidas de
pacientes com glioblastoma, os pesquisadores notaram que o zika era capaz de
matá-las. Eles também injetaram o vírus diretamente em tumores produzidos em
ratos e, neste caso, os tumores encolheram após o tratamento.
Ainda não há previsão sobre a possibilidade de
estender os testes a humanos, mas, como o zika não oferece riscos tão sérios
aos adultos, pode ser que isso não demore para acontecer.
quinta-feira, 30 de março de 2017
Governo libera R$ 1,89 milhões para vacinação contra febre amarela para 16 municípios baianos
Para intensificar as ações contra a febre
amarela, o Ministério da Saúde liberou, nesta quinta-feira (30), R$ 19,2
milhões para 526 cidades afetadas pela doença nos estados de Minas Gerais,
Espírito Santo, Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo. Além dos municípios, as
Secretarias Estaduais de Saúde (SES), dos respectivos estados, também irão
receber. Os valores deverão ser aplicados em ações de prevenção na área de
vigilância para a febre amarela. O recurso foi definido a partir da estimativa
da população a ser vacinada em cada município, com base nos valores per capita
estabelecidos para o repasse do Piso Fixo de Vigilância em Saúde.
Minas Gerais possui o quadro mais
grave, reunindo mais de 70% das confirmações. De acordo com boletim
epidemiológico divulgado ontem (29) pelo estado, já são 376 casos confirmados e
137 mortes com exames positivos para febre amarela.
Por esta situação, os mineiros receberão a maior fatia dos
recursos liberados pelo Ministério da Saúde: 55,8%. São R$ 10,74 milhões que
serão divididos entre o governo estadual e as prefeituras de 366 cidades.
No Espírito Santo, o estado e 18 municípios ficarão com R$ 2,51
milhões. Para o Rio de Janeiro, serão destinados R$ 2,36 milhões. Além do
governo estadual, também serão beneficiadas 41 cidades fluminenses. Do
restante, o total de R$ 1,89 milhão irá para o governo da Bahia e 16 municípios
baianos. O estado de São Paulo e 85 cidades paulistas ficarão com R$ 1,7
milhão.
Lista dos municípios da Bahia
A
vacinação de rotina para febre amarela é ofertada em 19 estados (Acre,
Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Distrito Federal, Goiás,
Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Piauí, Minas Gerais, São
Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) com recomendação para
imunização. Vale destacar que na Bahia, Piauí, São Paulo, Paraná, Rio Grande do
Sul e Santa Catarina, a vacinação não ocorre em todos os municípios. Além das
áreas com recomendação, neste momento, também está sendo vacinada de forma
escalonada a população do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Todas as pessoas que
vivem nesses locais devem tomar duas doses da vacina ao longo da vida.
Desde o início deste ano, o Ministério da Saúde tem enviado
doses extras da vacina contra a febre amarela aos estados que estão registrando
casos suspeitos da doença, além de outros localizados na divisa com áreas que
tenham notificado casos. No total, 20,6 milhões de doses extras foram enviadas
para cinco estados.
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Amamentação para o desenvolvimento sustentável é tema de campanha mundial
Agência Brasil - Além de fazer bem à saúde do bebê e
da mãe, o aleitamento materno contribui para o desenvolvimento sustentável e a
redução das desigualdades sociais. Essa é a mensagem da campanha deste ano da
Semana Mundial da Amamentação, realizada de hoje (1º) ao dia 7 de agosto. No
Brasil, a ação é coordenada pelo Ministério da Saúde em parceria com a
Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
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| Foto: reprodução |
Segundo a presidenta do Departamento Científico de
Aleitamento Materno da SBP, Elsa Giugliani, o aleitamento pode contribuir para
o cumprimento de vários Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Os 17
ODS , expressos em 169 metas, representam o eixo central da Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável, que entrou em vigor no dia 1º de janeiro deste
ano. Eles vão orientar as ações nas três dimensões do desenvolvimento
sustentável - econômica, social e ambiental - em todos Estados-Membros das
Nações Unidas até 2030.
Elsa explica que a amamentação está relacionada,
por exemplo, com as metas que dizem respeito à boa saúde e ao bem-estar, à
redução das desigualdades sociais e a outros objetivos relativos à ecologia e
preservação. “É inegável o aleitamento associado à saúde, não só no momento [em
que está sendo feito], mas no aparecimento de doenças no futuro”, disse.
Segundo ela, a amamentação previne muitas infecções
no bebê - diarreia, pneumonia, otites, asmas, entre outras doenças. Contribui
também para a prevenção do diabetes, do sobrepeso e da obesidade. Elsa lembrou
que a mãe que amamenta tem menor chance de desenvolver diabetes e câncer de
mama.
“O aleitamento materno também é muito democrático,
acessível a todas as camadas sociais, é muito igualitário tanto para mulheres
pobres quanto ricas. E é tido como uma das poucas práticas positivas de saúde
mais frequentes nos países pobres, entre as mulheres mais pobres”, disse Elsa,
acrescentando que isso ajuda a reduzir as desigualdades sociais.
Na questão ambiental, a pediatra ressalta que o
aleitamento é ecológico e não predador de recursos naturais, como as fórmulas
infantis e leites artificiais que envolvem todo um processo de
industrialização. “Não precisa de produção leiteira, não tem resíduos, não usa
energia, nem água, nem precisa de combustível”, argumentou.
Semana Mundial
A recomendação da Organização Mundial da Saúde é de
que o aleitamento materno seja exclusivo até o sexto mês e se estenda até os 2
anos ou mais, aí já com a introdução de outros alimentos, como frutas, legumes,
verduras e carnes.
Elsa afirma que as políticas públicas e a
conscientização ajudaram a melhorar os indicadores de amentação das últimas
décadas, passando de uma duração de 2,5 meses na década de 70 para mais de 12
meses atualmente.
A Semana Mundial da Amamentação é comemorada desde
1992 por iniciativa da Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno (Waba,
a sigla em inglês), órgão consultivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância
(Unicef). Segundo o ministério, a semana é importante pela mobilização social
para a conscientização da população e de profissionais de saúde sobre a
importância do aleitamento materno para a saúde da mãe e do bebê, e os
benefícios que traz para a sociedade e o país.
Com o tema “Amamentação: uma chave para o
desenvolvimento sustentável” e o slogan “Amamentação: faz bem para o seu filho,
para você e para o planeta”, a cerimônia oficial alusiva à semana será
realizada no próximo sábado (6), às 11h, na Casa Brasil das Olimpíadas, no Pier
Mauá, no Rio de Janeiro.
quinta-feira, 30 de junho de 2016
Pesquisa: depressão atinge 10,2% dos brasileiros desempregados
Agência Brasil - Estudo que o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje (30)
indica que, em 2013, 10,2% dos brasileiros com 18 anos ou mais que estavam fora
do mercado de trabalho (um em cada dez) sofriam de algum tipo de depressão, de
um total de 61,8 milhões de pessoas que não trabalhavam, nem procuravam emprego
- em um universo de 93 milhões de empregados.
Os
dados fazem parte da Pesquisa Nacional de Saúde 2015 – Indicadores de Saúde e
Mercado de Trabalho. O levantamento contabilizava, na época, a existência de
cerca de 160 milhões de pessoas integrando a População em Idade Ativa (PIA) do
país, em um universo de 200,6 milhões de pessoas, segundo o Censo 2010.
Quando
se analisa os brasileiros em idade ativa desocupados (5,7 milhões fora do
mercado de trabalho, mas procurando emprego) em 2013, o percentual cai para
7,5%. Já entre as pessoas fora do mercado de trabalho (que não trabalhavam, nem
procuravam emprego, embora em idade ativa), o total passa a 7,6%, o equivalente
a 11,2 milhões. O percentual menor de trabalhadores com depressão foi
verificado entre a população ocupada: 6,2%.
O
levantamento sobre a ocorrência de depressão entre a população em idade ativa
abrange o contingente de pessoas com idade acima de 18 anos e indica, ainda,
que 12,6% da população fora do mercado tomavam algum tipo de remédio para
dormir.
As
análises foram feitas em convênio com o Ministério da Saúde. Em relação ao
sexo, tanto no domínio da população de 18 anos ou mais quanto no da população
ocupada desta mesma faixa etária, as mulheres apresentaram percentual de
prevalências de diagnóstico de depressão mais elevado: 10,1%.
Analisando
as pessoas ocupadas de 18 anos ou mais de idade por grupos etários, os dados
mostram que o diagnóstico médico de depressão aumentava até o grupo de 40 a 59
anos, observando-se redução da prevalência a partir dessa faixa – entre as
pessoas de 40 a 59 anos de idade, 8,2% relataram ter diagnóstico de depressão,
enquanto para aquelas de 60 anos ou mais de idade a prevalência foi de 7,4%.
Para
análise do contingente de pessoas fora do mercado de trabalho com depressão, o
IBGE levou em consideração a população com mais de 18 anos de idade, que não
exercia qualquer atividade: aposentados, estudantes, pessoas que desistiram
temporariamente de procurar emprego em razão de dificuldades momentâneas do
mercado ou, ainda, mulheres cujos maridos tinham rendimentos elevados e
decidiram se dedicar aos filhos e ao lar.
Idade do trabalhador
Em
entrevista à Agência Brasil, a gerente de Pesquisas Domiciliares do IBGE, Maria
Lúcia Vieira, admitiu que a questão da depressão pode estar ligada diretamente
à idade do trabalhador. “O que a gente identificou é que, conforme a idade,
cresce o percentual de pessoas que apresentavam algum tipo de depressão”.
Para
ela, como a população fora da força de trabalho é composta - em sua maior parte
- por pessoas com mais idade, essa poderia ser uma justificativa para o
percentual mais alto. “Então, tem, sim, uma relação forte com a questão da
idade”.
A
gerente de pesquisas também falou sobre a incidência maior de mulheres entre o
contingente de brasileiros com depressão. “Entre as mulheres, o percentual de
diagnóstico de depressão chega a ser três vezes maior do que entre os homens. E
isso ocorre tanto entre a população desocupada como entre os que estão fora da
força de trabalho - o que pode ser um indício de que este percentual pode estar
mais relacionado com a questão sexo e idade do que com as condições de trabalho”,
explicou.
Doenças crônicas
Na
Pesquisa Nacional de Saúde 2013, o IBGE constatou que a prevalência de três
doenças crônicas com maior incidência na população (hipertensão arterial,
colesterol alto e dor nas costas) é bem maior entre a população ocupada do que
entre os desempregados.
Percentualmente,
entre as doenças crônicas mais presentes, especialmente entre as pessoas de 65
a 74 anos de idade, se destaca a hipertensão arterial, com 52,7%; seguida por
problemas crônicos de coluna ou costas (28,9%); e do colesterol alto (25,5%).
O IBGE
constatou, ainda, que a prevalência de Distúrbio Osteomolecular Relacionado ao
Trabalho (movimentos repetidos de qualquer parte do corpo) foi de 2,8% entre as
pessoas ocupadas e de 2,6% entre as desocupadas.
Na
avaliação da gerente de Pesquisas Domiciliares do IBGE, a maior incidência de
doenças crônicas entre a população ocupada pode ter relação direta com a
questão do estresse ocupacional. “Embora a gente não tenha investigado as
causas da maior incidência, o fato é que a população ocupada tem uma maior
incidência dessas principais doenças, especialmente quando a gente fala da
hipertensão arterial, do colesterol alto e da dor nas costas”.
“Em
relação a doenças crônicas, esta maior incidência pode estar relacionada ao mercado
de trabalho, porque as faixas de idade entre os dois grupos são bastante
parecidas”, disse Lúcia Vieira.
Já no
universo total de pessoas com 18 anos ou mais de idade fora da força de
trabalho a incidência é ainda maior, “o que deve ocorrer devido ao grupo ser
composto por gente com idade mais avançada”.
Acidente e Violência
Outra
constatação do estudo divulgado pelo IBGE é a de que, em 2013, 12,4% das 4,9
milhões de pessoas de 18 anos ou mais que sofreram acidente de trabalho ficaram
com alguma sequela ou incapacidade, o equivalente a 613 mil trabalhadores.
Segundo o IBGE, destes 4,9 milhões de acidentados no trabalho, 32,9%, (ou 1,6
milhão) deixaram de realizar atividades habituais.
O
levantamento constatou, ainda, que 4,5 milhões de pessoas de 18 anos ou mais
sofreram algum tipo de acidente de trânsito com lesões corporais, dos quais
32,2% foram no deslocamento para o trabalho (1,4 milhão) e 9,9% trabalhando
(445 mil).
Já no
que diz respeito à agressão e violência, o estudo indica que, em 2013, 4,6 milhões
de pessoas com 18 anos ou mais (3,1%) sofreram algum tipo de agressão ou
agressão por desconhecido. Do total, 846 mil foram agredidas em seus locais de
trabalho (18,4%). Já as agressões ou violências vindas de conhecidos atingiram
2,5% com 18 anos ou mais (3,7 milhões), sendo que 11,9% (439 mil) sofreram
agressões no trabalho.
O IBGE
considera os que sofreram acidente ou violência no âmbito do trabalho,
indivíduos fisicamente ativos. No Brasil, 14% das pessoas de 18 anos ou mais
eram ativas no trabalho (20,5 milhões), em 2013.
No
lazer, 22,5% praticavam o nível recomendado de atividade física (32,9 milhões).
Em relação à condição no mercado de trabalho, 25,2% dos ocupados (22,7
milhões), 31,1% dos desocupados (1,6 milhão) e 16,8% das pessoas fora do mercado
de trabalho (8,6 milhões) praticavam o nível recomendado de atividade física no
lazer.
Rendimento médio
O
rendimento médio mensal habitual dos trabalhadores portadores de alguma das
deficiências investigadas pelo IBGE era, em 2013, de R$ 1,499 mil, valor 11,4%
menor que os R$ 1,693 mil pagos aos trabalhadores sem deficiência.
A
pesquisa produziu estimativas sobre quatro tipos de deficiências: intelectual,
física, auditiva e visual. Os resultados mostraram que 7,2% da população de 14
anos ou mais de idade possuíam pelo menos uma dessas quatro deficiências,
considerando que 21,7% das pessoas ocupadas declararam ter grau intenso ou
muito intenso de limitações de suas atividades habituais, as quais incluem trabalhar.
Deste
total, 1,3% declarou ter deficiência de audição, percentual que era maior entre
as pessoas fora da força de trabalho (2,6%) do que entre as ocupadas (0,6%) e
as desocupadas (0,4%) Considerando
as deficiências investigadas pela pesquisa, a visual foi a mais frequente para
as pessoas de 14 anos ou mais (4,3%). Entre as ocupadas, havia 3,1% com esta
deficiência; entre as desocupadas, 1,7%; enquanto entre as pessoas fora da
força de trabalho, 6,4% Segundo
a Pesquisa Nacional de Saúde 2013, já as pessoas que trabalhavam à noite, mesmo
que o turno começasse durante o dia, tinham rendimento médio de R$ 2.073, valor
21,2% maior que o dos trabalhadores que exerciam suas atividades durante o dia,
que era de R$ 1,71 mil.
Plano de saúde
Os
estudos sobre o número de brasileiros que possuíam cobertura de saúde
complementar constataram que, em 2013, o percentual de pessoas de 14 anos ou
mais de idade que tinham algum tipo de plano de saúde (médico ou odontológico)
era de 28,9%, em um universo de pouco mais de 200 milhões pessoas.
Neste
aspecto, a pesquisa é clara: entre as pessoas ocupadas, quanto maior a renda
maior o percentual de usuários de planos de saúde. Entre as pessoas ocupadas
que contavam proporcionalmentes com este serviço o percentual era de 32,5%,
enquanto o percentual entre as pessoas fora da força de trabalho caia para
24,7%, reduzindo ainda mais entre os desocupados (apenas 16,3%).
Para a
gerente de Pesquisas Domiciliares do IBGE, Maria Lúcia Vieira, fica claro que,
quando podem financeiramente, as pessoas correm para algum tipo de plano de
saúde. “Embora não tenhamos dados para relacionarmos esta tendência às
deficiências do sistema público de saúde, fica claro que, quanto maior o rendimento
das pessoas, maior a possibilidade de elas terem algum plano de saúde”.
sexta-feira, 27 de maio de 2016
Câncer pode ser combatido com transplante de células de pessoa saudável
Cientistas
descobriram que é possível combater tumores cancerígenos utilizando células do
sistema imunológico de uma pessoa saudável no corpo de uma pessoa com a doença.
A pesquisa com a descoberta foi feita pelo Instituto de Câncer da Holanda e
pela Universidade de Oslo, na Noruega, e publicada semana passada pela
revista Science.
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| Foto: reprodução |
Os
pesquisadores observaram que ao inserir em laboratório componentes de
células do sistema imunológico de um doador saudável nas células de um paciente
com câncer é possível fazer com que seu organismo reconheça os
tumores e passe a atacá-los. A pesquisa foi feita com três pacientes
com melanoma, um tipo de câncer de pele.
É
função dos linfócitos T diferenciar células do organismo de corpos estranhos.
Quando esses corpos são reconhecidos, são desencadeados estímulos imunológicos
que destroem ou eliminam o invasor. O problema é que nem sempre as células
imunológicas reconhecem o câncer como um invasor. Isso permite a sua
proliferação pelo corpo.
"A célula tumoral é traiçoeira. Ela tem algumas
técnicas para desligar e escapar do sistema imunológico", afirma Denyei
Nakazato, oncologista do Hospital Sírio-Libanês e do Icesp (Instituto do Câncer
do Estado de São Paulo).
Para
avaliar essa capacidade de reconhecimento pelos linfócitos T, os pesquisadores
mapearam todos os antígenos que poderiam estimular uma resposta às células de
câncer de pele de três pacientes. Antígeno é toda substância que, ao entrar no
organismo, é capaz de iniciar uma resposta imune, ativando os linfócitos.
Os
linfócitos T dos pacientes com a doença deixavam passar despercebido fragmentos
estranhos de células tumorais. Já linfócitos derivados de voluntários saudáveis
conseguiram detectar um número significativo de antígenos.
Avanço
de técnicas
Para
Alex Meller, urologista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), o
estudo é promissor, apesar de envolver apenas três pacientes. Ele afirma que
uma técnica parecida já havia sido testada com tumor de rim no Hospital
Sírio-Libanês, mas teve uma resposta pouco eficaz. A novidade com o novo estudo
seria a sugestão de transferir as células entre pacientes imunologicamente
parecidos por meio do sangue.
"No
teste no Brasil, as próprias células do paciente acabaram reconhecendo as novas
como anômalas e acabava havendo uma reação. O potencial de matar o tumor
diminuía porque o paciente reconhecia aquilo como estranho", diz.
Rafael
Schmerling, oncologista clínico do Hospital São José da Beneficência Portuguesa
de São Paulo, acredita que esse também é um risco para o novo
estudo. "O paciente pode reconhecer essas células como estranhas. Mas
se elas viverem, começam a crescer, se multiplicar e fazer parte do sistema
imunológico da pessoa", afirma.
Schmerling
define o novo estudo europeu como um avanço de técnicas com conceitos que já
vinham sendo utilizados. Segundo
ele, a estratégia mais recente de terapia celular para o combate ao câncer
consiste em modificar as células do próprio paciente para que as proteínas do
tumor sejam reconhecidas pelo sistema imunológico.
"Nesse
estudo, em vez de 'ensinar' as células do próprio paciente os cientistas
estão pegando as células competentes de outras pessoas para combater o
tumor", analisa.
terça-feira, 3 de maio de 2016
Avanço de supergonorreia que pode se tornar intratável preocupa Grã-Bretanha
Médicos disseram estar "extremamente preocupados" com a
disseminação de uma supergonorreia na Inglaterra.
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| Foto: reprodução |
Por causa de uma nova bactéria, um alerta nacional foi emitido no ano
passado quando foram registrados casos em Leeds, no condado de Yorkshire, na
região central do país. Um dos principais tratamentos contra a doença
mostrou-se ineficaz contra esta variedade.
A agência governamental Public Health England reconheceu que medidas
tomadas para conter a epidemia tiveram "sucesso limitado".
Até o momento, foram confirmados por meio de testes de laboratório 34
casos de supergonorreia, mas acredita-se que esta seja apenas a ponta do
iceberg, já que um portador da infecção pode não apresentar sintomas.
Médicos temem que em breve seja impossível tratar a doença, que é
transmitida sexualmente e pode levar à infertilidade.
Resistência
O surto começou em casais heterossexuais, mas agora é detectado também
em homens gays. "Estávamos preocupados que ela poderia se espalhar entre
homens que fazem sexo com outros homens", diz o consultor médico
especializado em saúde sexual Peter Greenhouse.
"O problema é que (eles) tendem a disseminar infecções mais
rapidamente, já que trocam de parceiros com maior frequência."
Esses grupo também têm maior probabilidade de casos de gonorreia na
garganta, onde é maior a chance do organismo desenvolver resistência a
antibióticos já que estes medicamentos são administrados em menor dosagem para
infecções nesta área do corpo, que também está repleta de outras bactérias que
podem ser resistentes a drogas.
A gonorreia é causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, transmitida
por sexo vaginal, oral e anal sem proteção e muito adaptável e resistente a
antibióticos.
Por isso, duas drogas - azitromicina e ceftriaxona - são usadas
conjuntamente. Mas, agora, a resistência à azitromicina está se espalhando, e
médicos receiam ser uma questão de tempo até que o mesmo ocorra com a
ceftriaxona.
Acredita-se que, entre os infectados, cerca de um a cada dez homens
heterossexuais e mais de três quartos das mulheres e de homens gays não
apresentam sintomas, que podem incluir uma secreção esverdeada ou amarela nos
órgãos sexuais, dores ao urinar e sangramento.
Se não for tratada, a infecção pode levar a infertilidade e a inflamação
pélvica crônica, e ser transmitida para um bebê durante a gravidez.
Sexo seguro
Médicos britânicos de renome alertam que há um risco real da gonorreia
tornar-se intratável. "Não podemos nos dar ao luxo de sermos
complacentes", diz Gwenda Hughes, chefe para infecções sexualmente
transmissíveis da Public Health England.
"Se surgirem variedades de gonorreia resistentes tanto à
azitromicina quanto à ceftriaxona, as opções de tratamento serão limitadas já
que não existe nenhum antibiótico disponível para tratar esse tipo de
infecção."
Ele pede que a população pratique sexo seguro para minimizar o risco de
contágio.
Também há uma campanha em curso para incentivar pessoas infectadas que
alertem seus parceiros sexuais - após testes indicarem que 94% de parceiros
estavam infectados.
No entanto, a agência diz que os resultados desta campanha foram
"limitados".
A Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV disse ser necessária uma
reação rápida à infecção.
Sua presidente, Elizabeth Carlin, afirmou que a "disseminação da
gonorreia altamente resistente à azitromicina é motivo de enorme preocupação e
que é essencial tomar toda medida possível para impedir que se espalhe ainda
mais."
"Falhar ao responder de forma adequada a isso ameaça nossa
habilidade de tratar a gonorreia de forma eficaz e leva a uma deterioração da
saúde de indivíduos e da sociedade como um todo."
Porém, o consultor Peter Greenhouse diz que os serviços públicos de
saúde sexual estão passando por seu "momento de maiores restrições"
devido a um corte de recursos e que o surgimento da superbactéria se dá em meio
às "condições de uma tempestade perfeita".
Ao mesmo tempo, o governo britânico anunciou uma nova ferramenta para
ajudar que clínicos gerais reduzam o número de antibióticos prescritos, ao
comparar seus hábitos com os de outros especialistas.
"Quero que antibióticos sejam prescritos somente quando forem
necessários", disse o secretário de Saúde, Jeremy Hunt.
Informações UOL
terça-feira, 26 de abril de 2016
Brasil já registra 230 mortes por H1N1 em 2016
Agência
Brasil - O Brasil registrou este ano, até o 16 de abril, 230 mortes pelo vírus
influenza A (H1N1). De acordo com levantamento do Ministério da Saúde divulgado
ontem (25), ao todo, foram registrados 1.365 casos da doença em todo o país
neste período.
Com 976 notificações, a Região Sudeste concentra o maior número
de casos de H1N1 este ano, com 883 apenas no estado de São Paulo. Também houve
registro de H1N1 em 2016 em Santa Catarina (102), Goiás (62), Rio de Janeiro
(44), Minas Gerais (44), Pará (42), Distrito Federal (36), Rio Grande do Sul
(32), Bahia (32), Paraná (30), Mato Grosso do Sul (14), Pernambuco (11),
Alagoas (6), Ceará (6), Rio Grande do Norte (6), Espírito Santo (5), Mato
Grosso (4), Paraíba (3), Amapá (1) e Sergipe (1).
Embora pelo menos cinco estados tenham começado a imunização, a
Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe será aberta oficialmente no
próximo sábado (30) em todas as cidades do país e é voltada a públicos com
maior risco de complicações pelos vírus, como crianças com menos de seis anos,
gestantes, idosos e profissionais da saúde.
Sintomas
Os principais sintomas da chamada gripe A são infecção aguda das
vias aéreas e febre – em geral mais acentuada em crianças do que em adultos.
Também podem surgir calafrios, mal-estar, dor de cabeça e de garganta, moleza e
tosse seca, além de diarreia, vômito, fadiga e rouquidão.
A prevenção da doença é feita com regras básicas de higiene,
como cobrir a boca ao tossir ou espirrar e lavar as mãos com frequência. Também
se deve evitar permanecer por muito tempo em ambientes fechados, sem ventilação
e com aglomeração de pessoas.
quarta-feira, 23 de março de 2016
'Desinfetante' de sangue pode ser alternativa para transfusões em risco de zika
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um kit para
inativação de patógenos em bolsas de sangue doados. A traquitana
tecnológica, quando irradiada com raios UV-A, é capaz de anular os mais
diversos vírus e bactérias, inclusive o zika vírus, tão temido das grávidas
pela sua associação com a microcefalia.
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| Foto: reprodução |
Pelo fato de não haver um exame rápido que detecte a presença do zika
vírus em um sangue doado, a adoção do mecanismo por bancos de sangue
brasileiros pode ser uma alternativa para dar segurança a grávidas que precisem
receber plasma ou plaquetas.
Professor da Universidade Federal Fluminense e diretor do hemocentro
Hemo Rio, Luíz Amorim explica que o dispositivo já estava aprovado na Europa,
mas só agora chegou ao Brasil.
"O kit consiste em uma bolsa plástica, tipo a de armazenamento
de sangue, com um medicamento chamado amotozalen (normalmente usado para
tratamento de psoríase). Quando o sangue doado entra na bolsa, esse remédio se
liga com o material genético dos vírus e bactérias”, detalha o médico.
Depois dessa ligação, a bolsa passa por uma máquina de radiação UV do
tipo A. “Com os raios UV, o remédio se liga de forma irreversível ao material
genético e os vírus e bactérias perdem a capacidade de contaminar alguém, já
que, para isso, o vírus precisaria se multiplicar."
Logo, o sistema não mata os vírus, mas impede sua replicação, fazendo
com que perca a capacidade de contaminar alguém.
“Pode ser vírus do HIV ou qualquer vírus. Qualquer produto que tenha
material genético”, diz.
A tecnologia, no entanto, não funciona para todos os componentes do
sangue, apenas para o plasma e plaquetas.
“Quando alguém doa sangue, esse sangue será fracionado em três
componentes: o concentrado de hemácias (glóbulos vermelhos), usados em
pacientes com anemia, em cirurgias ou que perdem muito sangue em algum
acidente, no plasma e nas plaquetas”, diz Amorim. O “desinfetante de sangue” só
funciona no plasma e nas plaquetas.
Gerente médico do departamento de hemoterapia e terapia celular do
Hospital Albert Einstein, José Mauro Kutner explica que, apesar de aprovado,
essa tecnologia ainda não está em uso. “Estamos aguardando o primeiro lote para
teste, já que é de implantação complexa no ponto de vista de operação”,
explica.
“Até onde sabemos, não há malefícios para o paciente”, diz.
Só funciona fora do corpo
Esse “desinfetante de sangue” não consegue inativar a replicação de
vírus dentro do corpo humano por dois motivos: a quantidade de vírus presentes
no corpo é infinitamente maior do que aquela dentro de uma bolsa de sangue, e
mesmo se fosse possível usar um medicamento para isso, se tornaria impossível
irradiar uma pessoa com raios UV-A. A irradiação é necessária para a inativação
dos vírus.
“Para a irradiação UV-A ser eficaz [nas bolsas de sangue], é preciso uma
baixa densidade do sangue. A plaqueta e o plasma são amarelos e transparentes,
então os raios penetram bem. No concentrado de hemácias (glóbulos vermelhos) a
cor é densa, escura, e o UV não penetra”, explica Amorim.
quarta-feira, 9 de março de 2016
Vacinas podem chegar tarde demais para combater surto de zika, diz OMS
A OMS
(Organização Mundial da Saúde) afirmou nesta quarta-feira (9) que a vacina para
combater o surto de vírus da zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti pode
chegar tarde demais.
A organização informou ainda que estabeleceu três prioridades: desenvolver testes para detecção de dengue, chikungunya e zika, doenças transmitidas pelo aedes, desenvolver vacinas de proteção baseadas em vírus não- vivos para mulheres em idade fértil, e ferramentas inovadoras para combater os mosquitos que transmitem as doenças.
A organização informou ainda que estabeleceu três prioridades: desenvolver testes para detecção de dengue, chikungunya e zika, doenças transmitidas pelo aedes, desenvolver vacinas de proteção baseadas em vírus não- vivos para mulheres em idade fértil, e ferramentas inovadoras para combater os mosquitos que transmitem as doenças.
(Folhapress)
quinta-feira, 3 de março de 2016
Pernilongo também pode ser capaz de transmitir vírus da zika, indica pesquisa
O surto
do vírus zika no Brasil pode ter um novo vetor além do mosquito Aedes aegypti,
segundo revelação feita nessa quarta, 2, por pesquisadores do projeto de
vetores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz em Pernambuco. De acordo com a
cientista Constância Ayres, o vírus foi encontrado ativo na glândula salivar e
no intestino do mosquito Culex, o pernilongo comum.
“Isso significa que o atual vírus conseguiu escapar de algumas
barreiras no mosquito e chegou à glândula salivar”, explicou a pesquisadora
durante o workshop A, B, C, D, E do vírus zika. No encontro, ela apresentou
resultados preliminares da investigação que levaram à disseminação do vírus
para a glândula salivar do mosquito, por onde aconteceria a transmissão da
doença para humanos.
A conclusão se deu após Constância realizar em laboratório três
infecções em aproximadamente 200 mosquitos Culex criados em laboratório em
dezembro e em fevereiro. No experimento, a pesquisadora alimentou por sete dias
os pernilongos com sangue infectado pelo zika e a conclusão foi que o vírus se
manteve ativo.
Apesar de parcial, a pesquisa levanta forte hipótese de o Culex
também transmitir o vírus da zika. “Para concluir isso (em definitivo), só
falta identificar em campo a espécie de mosquito infectada com o vírus da
zika”, ressaltou a bióloga que ingressará com a nova fase da pesquisa, partindo
para análise do material de campo que está sendo coletado para chegar a uma
conclusão - em seis a oito meses.
“Nas casas e onde acontecem registros do vírus estão sendo
coletados mosquitos das duas espécies. Trazemos esse material para o
laboratório e fazemos os testes moleculares para detectar o vírus nessas
espécies. Tendo realizada uma grande quantidade de amostras, poderemos ter uma
ideia se o Aedes é o vetor exclusivo, se existem outros vetores e qual a
importância de cada um na transmissão”, afirma.
A presença do Culex em zonas urbanas do País supera em 20 vezes
a incidência do Aedes, conforme os especialistas da Fiocruz. Ele também
constituiria uma ameaça maior, por estar disseminado quase em todo o mundo, e
por ter facilidade de reprodução em água suja - ao contrário do vetor comum de
dengue, zika e chikungunya.
Cautela
Apesar do achado, especialistas dizem
que o fato de o Culex ser “infectável” não indica obrigatoriamente que ele
possa transmitir zika. “O experimento ainda é muito preliminar”, disse
Margareth Capurro, bióloga do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade
de São Paulo (ICB-USP).
O assunto também foi discutido nessa quarta nos Estados Unidos.
Em debate sobre o combate à zika realizado na sede da Organização Pan-Americana
de Saúde (Opas), em Washington, o coordenador do Centro de Relações
Internacionais em Saúde da Fiocruz, Paulo Buss, afirmou que será preciso
pesquisar mais para descobrir se o vírus pode ser transmitido pelo Culex.
“A possível transmissão não está descartada, mas ainda precisa
ser provada. É uma das questões que ainda não sabemos responder”, ressaltou.
“Diversos estudos estão sendo levados adiante e as análises ainda estão sendo
reunidas por entomologisatas e outros especialistas”, afirmou Buss.
Balanço
No mesmo evento, a Opas informou que
há 134 mil casos suspeitos de zika no continente e 2.765 confirmados. A organização
destaca que, pelo fato de 80% das vítimas serem assintomáticas e ainda existir
dificuldade de diagnóstico, esses números não representam o surto.
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