Apesar de o diretor do FBI, James Comey, ter dito que não foram
encontradas evidências que justificassem a retomada da investigação de Hillary
Clinton pelo uso de um servidor privado de e-mails quando era secretária de
Estado, o caso dominou o noticiário político nos EUA e causou grandes dores de
cabeça ao Partido Democrata.
Há pouco mais de uma semana, Comey causou furor na campanha ao anunciar
a descoberta e a investigação de um novo grupo de e-mails que poderiam
incriminar a candidata. Mas na noite de domingo (6), ele reiterou a decisão tomada
pelo FBI em julho, de não indiciá-la.
Agora, a posição de Hillary nas pesquisas de opinião parece ter se
estabilizado e as conversas sobre uma derrota certa da candidata ficaram mais
distantes.
Conforme a campanha chega ao fim, a equipe de Hillary provavelmente fará
alarde da declaração de Comey e focará na mensagem final que quer passar antes
da votação.
Já seu rival republicano Donald Trump deve continuar acusando Hillary de
corrupção – e agora diz que o FBI está tentando "acobertar" a
ex-secretária de Estado.
A apenas um dia da eleição, é mais do que provável que a poeira
levantada por essa história não terá baixado até os americanos comparecerem às
urnas.
Ao medir os efeitos políticos dessa história, é importante lembrar que a
corrida entre Trump e Hillary já estava acirrada antes mesmo da decisão de
Comey, há mais de uma semana, de investigar a democrata mais uma vez.
Pesquisas de opinião realizadas depois disso indicaram que poucos
americanos consideram a história impactante o suficiente para mudar de voto. A
divergência entre os dois candidatos é muito significativa para permitir uma
mudança de lado a essa altura.
O caso permitiu que Trump voltasse às manchetes por mais de uma semana,
dando espaço a ele para trazer os republicanos insatisfeitos de novo à tona.
Ele também não deixou Hillary encerrar a campanha com uma mensagem positiva e
piorou sua imagem negativa, o que dificultará seu governo caso ela seja eleita.
Uma vez que a eleição chegar ao fim, haverá razão para questionar o
comportamento do FBI e da mídia na eleição. Afinal, as principais autoridades
policiais dos EUA viraram uma fonte constante de vazamentos, com facções e
disputas internas sendo expostas ao público.
Muitos analistas especularam que Comey jamais teria divulgado a
investigação tão perto da eleição a não ser que a situação de Hillary e as
suspeitas fossem realmente complicadas – o que se mostrou infundado.
Se Trump vencer, muitos atribuirão a vitória a Comey. Ele deve ser
criticado por ter desrespeitado a política apregoada pelo Departamento de
Justiça de contenção quando se trata da divulgação de informações que podem
abalar uma eleição.
Se Hillary ganhar, ela deve herdar um rancor difícil de se livrar. E o
casal Clinton tem um longo histórico. Se a tensão entre o Departamento de
Justiça de Obama e o FBI está grande, deve ficar cada vez maior.
De qualquer forma, o diretor do FBI terá uma enorme bagunça para
resolver.






