O
crescimento das apostas online no Brasil acende um alerta: mesmo com medidas de
restrição e bloqueio de sites, a divulgação de plataformas continua aparecendo
nas redes sociais, levantando questionamentos sobre fiscalização e
responsabilidade dos influenciadores digitais.
O mercado de
apostas online ganhou enorme visibilidade no Brasil nos últimos meses. O que
antes aparecia principalmente em anúncios esportivos e propagandas na internet
passou a ocupar espaço em vídeos, transmissões ao vivo, publicações e
recomendações feitas por influenciadores digitais.
A expansão
desse mercado chama a atenção não apenas pelo número de pessoas envolvidas, mas
também pela facilidade de acesso às plataformas e pela maneira como os jogos
são apresentados ao público, muitas vezes associados a promessas de ganhos
rápidos e oportunidades de dinheiro fácil.
📈 Crescimento das apostas preocupa
autoridades
Dados
divulgados em setembro de 2026 apontaram que o número de brasileiros que já
haviam apostado em plataformas esportivas chegou a 43,8 milhões em agosto,
representando crescimento de 75,2% em relação aos 25 milhões registrados no
final de 2025.
O avanço
demonstra a dimensão que as apostas alcançaram no país e reforça a necessidade
de discutir seus impactos econômicos e sociais.
Por trás das
propagandas coloridas, dos jogos de cassino e das promessas de premiações,
existe um risco que não pode ser ignorado: muitas pessoas podem comprometer o
orçamento familiar, acumular dívidas e desenvolver comportamentos compulsivos
relacionados às apostas.
🚨 Mesmo após os bloqueios,
influenciadores continuam divulgando bets
Um dos pontos
mais preocupantes é a continuidade da divulgação de plataformas de apostas
mesmo depois das medidas de bloqueio adotadas pelas autoridades.
Reportagem
publicada pela CNN Brasil em 16 de outubro de 2026 apontou que influenciadores
ainda divulgavam links de apostas e direcionavam seguidores para plataformas
que continuavam funcionando por meio de domínios internacionais, sem a
terminação ".br".
O problema não
se limita às publicações tradicionais. Links alternativos, grupos de mensagens,
vídeos, cupons promocionais e supostos sinais de apostas também são utilizados
para atrair novos usuários.
Em setembro, o
Ministério da Justiça e Segurança Pública identificou 43 canais e grupos no
Telegram relacionados à divulgação de apostas, reunindo mais de 212 mil
participantes.
Esses números
mostram que retirar um endereço eletrônico do ar não significa necessariamente
encerrar a divulgação ou impedir que usuários sejam direcionados para outras
plataformas.
⚖️ Quem divulga também precisa ser responsabilizado?
A atuação dos
influenciadores digitais merece atenção especial.
Quando uma
personalidade com milhares ou milhões de seguidores divulga determinada
plataforma, sua influência pode transmitir uma falsa sensação de segurança ao
público. Em alguns casos, o conteúdo promocional apresenta ganhos e
experiências positivas, sem dar o mesmo destaque aos riscos financeiros
envolvidos.
É necessário
discutir a responsabilidade de quem promove serviços irregulares, especialmente
quando há publicidade remunerada, links de afiliados ou direcionamento de
consumidores para plataformas proibidas.
A análise
jurídica deve considerar a legislação aplicável, a natureza da publicidade, a
participação do influenciador e as circunstâncias concretas de cada divulgação.
🔎 Bloquear sites é suficiente?
As medidas de
fiscalização representam um passo importante, mas o ambiente digital apresenta
desafios constantes.
Em outubro de
2026, o Ministério da Justiça informou que mais de 20 mil sites ilegais de
apostas e canais de publicidade haviam sido identificados e encaminhados para
bloqueio.
Isso demonstra
a dimensão do trabalho de fiscalização necessário para combater a oferta
irregular.
Entretanto,
enquanto novos domínios, perfis e estratégias de divulgação surgirem, será
necessário fortalecer a cooperação entre autoridades públicas, plataformas
digitais e órgãos de defesa do consumidor.
📢 O consumidor precisa ficar atento!
Apostar não
deve ser apresentado como uma alternativa de renda ou uma solução para
dificuldades financeiras.
Antes de
acreditar em promessas de ganhos, é importante questionar quem está divulgando
a plataforma, quais são os interesses envolvidos e se o serviço está autorizado
a funcionar.
A publicidade
feita por influenciadores também precisa ser observada com senso crítico. Ter
muitos seguidores não significa que uma recomendação seja segura ou confiável.
O debate vai
muito além dos jogos: envolve proteção do consumidor, responsabilidade digital,
fiscalização, publicidade e os impactos das apostas na vida das famílias
brasileiras.






