A suspeita de que houve pagamento ilegal para a compra de votos de
delegados do COI para a organização da Rio-2016 e de Tóquio-2020 vem sendo
investigada pelo Ministério Público Financeiro de Paris, que já encontrou
indícios concordantes de corrupção em ambos os casos.
Segundo as investigações, três dias antes da sessão do COI que definiria
a cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016, realizada em outubro de 2009, em
Copenhague, na Dinamarca, duas transferências que totalizaram US$ 2 milhões (R$
6,3 milhões pela cotação atual) foram realizadas pela Matlock Capital Group,
empresa com sede em Miami, nos Estados Unidos, e de propriedade do empresário
brasileiro Arthur Cesar de Menezes Soares Filho, em favor de membros da família
do então presidente da Associação Internacional das Federações de Atletismo
(IAAF) e membro do COI, Lamine Diack.
Nessa época, o Grupo Facility, de Arthur Soares, tinha contratos de
prestação de serviços da ordem de R$ 3 bilhões firmados com o governo do Rio,
sob gestão de Sergio Cabral.
Os depósitos foram realizados pela Matlock em dois momentos: um primeiro
de US$ 1,5 milhão (R$ 4,7 milhões) em 29 de setembro de 2009, em favor da
empresa Pamodzi Consulting, de propriedade de Papa Massata Diack, filho de
Lamine Diack. Uma segunda transferência, de US$ 500 mil (R$ 1,5 milhão), também
proveniente da mesma empresa, beneficiou uma conta de Papa Diack na Rússia.
Segundo o MP Financeiro da França, o voto de Lamine Diack em favor do Rio seria
crucial para obter a adesão de dirigentes africanos, que votam em bloco nas
sessões do COI.
A investigação do MP apura os vínculos entre Arthur Soares e Sérgio
Cabral e a existência de um pacto de corrupção em torno dos Jogos de 2016, que
envolveria as obras públicas com as quais o governo brasileiro se comprometeu
junto ao COI.
Um dos focos de suspeita dos investigadores é se houve vínculos entre
empreiteiras que se beneficiaram dos projetos de infraestrutura para a Rio-2016
e a suposta compra de votos. Mesmo depois de um primeiro desenho do parque
olímpico ter sido fechado entre os técnicos do COI e da Rio-2016, a construtora
Odebrecht, por exemplo, pediu mudanças nas instalações.
Uma vez vencida a disputa em Copenhague, empreiteiras brasileiras
ficaram com grande parte dos contratos dos Jogos, alguns deles sem licitações e
sem concorrência. À Odebrecht restaram obras como o Porto Maravilha e a Linha 4
do Metrô, além da Vila dos Atletas e o Parque Olímpico e outras instalações e
estruturas de transporte. Em um levantamento feito pelos investigadores,
constatou-se que, dos R$ 38 bilhões previstos no orçamento original dos Jogos
do Rio, a empresa, que está no epicentro da operação Lava Jato, ficou com
contratos avaliados em R$ 26 bilhões.
Em nota, a construtora optou por não entrar em detalhes. "A
Odebrecht não se manifesta sobre eventuais investigações e reafirma que vem
cooperando com autoridades brasileiras e estrangeiras. A empresa está
comprometida a combater e não tolerar a corrupção em quaisquer de suas
formas."






