O senso
comum diz que grandes campeões são aqueles que conseguem se transformar
mediante uma nova realidade e, mesmo assim, seguirem triunfando. É com esse
espírito que o baiano Robson Conceição, 28 anos, fará neste sábado, 5, por
volta das 22h (horário da Bahia), em Las Vegas, sua estreia no boxe
profissional. Seu adversário, pela categoria super-pena (até 59 kg) da WBO
(Organização Mundial de Boxe, na sigla em inglês), será Clay Burns, pugilista
da casa.
Será a preliminar da luta de retorno do lendário filipino Manny
Pacquiao, 37 anos, que, diante do americano Jessie Vargas, sobe ao ringue pela
primeira vez desde maio de 2015, quando perdeu por pontos para o tão lendário
quanto Floyd Mayweather, dos EUA.
Para estar num evento desse porte, o atual campeão olímpico do
peso pena (até 60 kg) teve pouco tempo para se adaptar ao profissional. Sorte
que, como grande esportista que é, possuiu talento suficiente para agilizar a
adaptação.
A primeira diferença que o público verá é que Robson está ainda
mais forte. Seu peso, que variava entre 60 e 62 kg, subiu para 63 kg com ganho
de massa muscular. Isso porque, diferentemente do boxe amador, que faz a
pesagem minutos antes da luta, o boxe profissional aufere peso dos lutadores na
tarde da véspera do evento. Assim, o pugilista usa os dois ou três dias
anteriores à pesagem para perder peso essencialmente por desidratação e o
recupera ao longo do dia e meio que antecede à luta. Na prática, o lutador
profissional sobe ao ringue com cerca de 10% a mais do limite de peso da
categoria.
“A preparação de Robson foi feita num período curto [após ganhar
o ouro olímpico em agosto, o baiano só conseguiu voltar aos treinos em meados
de setembro], por isso subimos pouco o peso dele. Robson vai lutar com pouco
mais de 62 kg. O adversário estará pesando entre 64 e 65 kg, mas preferimos
dessa forma, pois Robson se sente muito confortável com seu biotipo. Para a
próxima luta [prevista para março], aí sim, pensamos em levar o peso dele para
64 kg. Já nesta estreia, o importante é que Robson está se sentindo bem e
preparado. Vai facilmente compensar os dois quilos a menos que seu adversário
com a agilidade e a técnica que possui”, explica André Pìcolli, seu preparador
físico.
Luiz Carlos Dórea, treinador, emenda: “Robson sempre teve uma
mão muito pesada para a categoria dele. Então, força não será problema. Ele
está pronto e feliz. Está confiante para uma grande vitória”.
Contundência
Além de se preparar
para encarar lutadores mais fortes, o pugilista teve de adaptar seu jogo ao boxe
profissional, cujas lutas são feitas em seis rounds (10 quando vale cinturão) e
não em somente três, como no boxe olímpico. De quebra, exigem mais contundência
dos golpes ao invés de volume para marcar pontos. Dórea explica que Burns,
oponente de Robson, “é um lutador que busca o corpo a corpo, um contato mais
próximo com adversário, num combate pesado”. O cartel do americano é de quatro
vitórias, dois empates e duas derrotas.
Exibindo confiança,
o campeão olímpico comenta: “É bem esse mesmo o tipo de adversário que eu adoro
enfrentar (risos). Quando vem para cima, consigo usar minha mobilidade e
acertá-lo com contragolpes”.
Dórea completa: “A
regra do boxe olímpico, que mudou para os Jogos do Rio de Janeiro, se aproximou
do boxe profissional, pois deixou de ser exclusivamente marcação de pontos.
Isso facilitou a adaptação de Robson. Ajustamos o jogo dele, mas o fato é que
Robson é um lutador completo e sempre teve o lastro de resistência física, a
contundência e a capacidade de nocaute que o boxe profissional exige. É difícil
fazer previsão, mas estamos seguros de uma grande vitória na estreia. Se você
olhar o semblante de Robson, verá que não há tensão pela estreia, mas sim
felicidade pelo novo passo na carreira”.
Três perguntas a Robson Conceição
Terá dificuldade por ser luta de seis rounds?
Nenhuma. Lutei
antes em ligas profissionais em Salvador e venci. Com seis rounds, vou ter mais
tempo para nocautear meu adversário (risos).
E o processo de perda de peso antes da luta: foi algo tranquilo?
Sim. Um ou dois
treinos fortes já me fazem perder o peso necessário. Na véspera da luta, dá
para recuperar com hidratação e boa alimentação
Sua esposa, Érika, e filha, Sophia, ficaram em Salvador desta vez. Será
difícil não tê-las com você?
Vou conseguir
segurar a saudade. Semana que vem, já estou em Salvador e vou dedicar a vitória
a elas.






