O esquema de segurança afastou o risco de maiores tumultos causados por manifestações, e as que houveram não foram suficientes para estragar a festa, desanimar o brasileiro, impedi-lo de ir aos estádios, torcer, cantar, gritar – chorar algumas vezes, paciência - mas contagiar o mundo outra vez com sua conhecida, querida e incomparável simpatia.
A cada partida, cerca de 100 mil pessoas circularam entre o Estádio, Farol da Barra, Pelourinho, Rio Vermelho e Imbuí, cuja noite precisa ser integrada ao circuito turístico da cidade!
E a Bahia pode continuar recebendo a mesma quantidade de pessoas em muitos outros momentos do ano, de diferentes lugares, propiciando o intercâmbio de culturas através do convívio nesses lugares e em outros, como as praias, Chapada Diamantina, etc. São muitos os atrativos no estado, alguns conhecidos internacionalmente, e muitos os interessados!
Mas, para isto é preciso que haja profissionalismo institucional também, técnicos que possam auxiliar gestores a identificar as atrações e os serviços que interessam ao turista, que conheçam o perfil dos povos que procuram Salvador - brasileiros, argentinos, chilenos, portugueses, espanhóis, franceses, italianos, alemães, holandeses, norte americanos, judeus, etc. – que possam indicar o que poderia mantê-los mais tempo na cidade, e auxiliar no planejamento, administração e fiscalização dos serviços. Tudo o que não houve na Copa!
O atendimento no Brasil foi literalmente improvisado! Os turismólogos não foram aproveitados e a tal qualificação de profissionais foi pura falácia!
A experiência de agentes de viagens, hoteleiros e guias de turismo veteranos garantiu a boa recepção, apesar de manipulada, em parte, pela própria FIFA, que tem sua operadora e fez parcerias que acabou deixando muitos profissionais do país sem trabalho.
Em Salvador, a Bahiatursa e o Sindicato de Guias de Turismo da Bahia passaram a intermediar o trabalho de guias – que são autônomos! - em grandes eventos, como o Carnaval, através de uma empresa criada para isto, a Check List Soluções, que pagou R$ 2.000,00 por um mês de trabalho na Copa, enquanto as agências de receptivo tradicionais pagaram até R$ 500,00 por um dia!
O Sindicato, que depende da Contribuição Sindical de todos os profissionais do estado, não garante o trabalho para todos eles nesses eventos, infringe a Lei 8.623, no Art 2º, que obriga o profissional a ser credenciado no Min. Turismo, aceitando ‘monitores’, pessoas não credenciadas, inexperientes, que são os indicados e protegidos de pessoas ligadas ao Turismo, que tiram as poucas opções dos profissionais.
O principal atrativo da cidade, o Pelourinho, a âncora que atrai turistas que também vão à Mangue Seco, Praia do Forte, Recôncavo Baiano, Morro de São Paulo, Chapada Diamamntina, etc., foi abandonado no governo de Jaques Wagner, do PT, é o mais deteriorado dos patrimônios da humanidade no Brasil, e nem os recursos abundantes para a Copa foi capaz de sensibilizar gestores e convencê-los a concluir a reforma! Atualmente o lugar é evitado pelos próprios baianos, e a agressão ao americano em pleno evento não foi um caso isolado.
Nenhum hotel novo foi construído em Salvador para esta Copa! Mas, apesar destas e outras deficiências no receptivo da cidade, como mobilidade, estacionamento, banheiros públicos, etc., perfeitamente corrigíveis, Salvador continua sendo uma cidade atraente, desejada por pessoas de vários lugares, e importante para a indústria turística mundial, que a venderia muito mais, caso ela estivesse em melhores condições, e garantisse bom atendimento, comodidade, e segurança para quem quer vir.
Poucas cidades do mundo, inclusive entre as mais visitadas - Londres, Paris, Nova Iorque, Barcelona, Tóquio, etc. – tem identidade tão definida e tantos atrativos como Salvador: 50 km de praias ensolaradas o ano inteiro, uma baía imensa na sua frente, história, memória, comida, música, arte e povo!
A Copa mostrou tudo isto, só é preciso profissionais que criem as condições para receber turistas sempre, e que colaborem com a economia e a cultura da Bahia. Não são apenas a beleza e a fama que atraem mais de 80 milhões de turistas por ano à França, 60 milhões aos EE UU, 50 milhões à Espanha ou à China. É trabalho com profissionalismo!





